Brasil julgou apenas 14 dos 300 assassinatos de ambientalistas dos últimos 10 anos

(Foto: Felix Renaud/Thinkstock)

ONG aponta impunidade nos crimes contra ambientalistas e culpa o atual governo de não cumprir com compromissos ambientais

A organização não governamental Human Rights Watch (HRW), revelou nesta terça-feira (17), que dos 300 defensores da Amazônia brasileira assassinados nos últimos dez anos, só 14 casos acabaram diante de um tribunal. Os dados foram divulgados no relatório intitulado As Máfias da Floresta Tropical.

A HRW detalha um enorme grau de impunidade dessas organizações criminais, que têm a capacidade logística de coordenar a extração, processamento e venda de madeira em grande escala na maior floresta tropical do mundo.

O corte ilegal costuma ser o primeiro passo para depois dedicar a terra a cultivos ou pastagens. Por isso os madeireiros são os principais responsáveis pelo desmatamento ilegal, que disparou, segundo dados oficiais preliminares, desde que Bolsonaro chegou à presidência, em janeiro.

Apesar do aumento do desmatamento desde 2012, a ONG acusa o atual presidente de ter, com seu discurso e suas ações, dado autorização às quadrilhas implicadas no desmatamento ilegal. E acrescenta que, desse modo, Bolsonaro “põe os defensores da Amazônia e a própria Amazônia em grave perigo, além de solapar a capacidade do Brasil de cumprir seu compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e contribuir para mitigar o aquecimento global”.

A ONG recorda que o atual governo minou a fiscalização das leis ambientais (as inspeções e as multas desabaram) e enfraqueceu as agências ambientais federais (o ministro do setor, Ricardo Salles, demitiu em apenas um dia a 21 dos 27 diretores regionais do Ibama).

Conforme os dados divulgados, dos 28 assassinatos, quatro tentativas de homicídios e 40 casos de ameaças atribuídos a madeireiros ilegais desde 2015 e analisados detalhadamente pela HRW, só duas das mortes foram levadas a juízo.

A ONG também exigiu que o Ministério da Justiça elabore com o Ministério Público, as polícias e as agências ambientais um plano de ação para conter a violência e intimidação contra os ativistas e para desmantelar essas redes criminais. Também pede à Procuradoria Geral da República que faça desse assunto uma prioridade.

*Com informações do El País Brasil

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here