Agosto Lilás: independência financeira sem violência

(Foto: Reprodução)

Dados do Ipea mostram que as mulheres sofrem mais violência em casa e preferem se separar com independência financeira

O mês de agosto é marcado pela criação da Lei Maria da Penha, promulgada em agosto de 2006. Em referência a essa data, foi criado a Campanha Agosto Lilás, que tem por objetivo potencializar a discussão sobre violência contra a mulher. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cada ano, cerca de 1,3 milhão de mulheres ainda são agredidas no Brasil.

Divulgado nesta segunda-feira (19), um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que o índice de violência contra a mulher é duas vezes maior quando ela participa do mercado de trabalho – faz parte da população economicamente ativa (PEA) – em comparação a aquelas que não participam, ou seja, 52,2% contra 24,9%.

De acordo os pesquisadores, esse aumento do índice de violência na mulher empregada pode ocorrer pelo “afastamento da mulher em relação ao seu papel esperado, dentro de uma cultura patriarcal, propicia fricções e descontentamentos por parte do homem, o que pode engendrar ao uso da violência pelo mesmo”. Nesse caso, o estudo aponta que as mulheres tendo conseguido sua independência financeira, preferem se separar do marido.

Segundo o estudo, as mulheres também sofrem mais violência por parente, conhecido ou cônjuge. Nesses casos, o índice de violência doméstica é três vezes maior do que ocorre com o homem.

Além disso, a violência contra a mulher ocorre tipicamente em sua residência (43,1% do total de casos), seguida por agressões nas vias públicas (36,7%). No que concerne à relação da vítima com o perpetrador (tabela 4), boa parte dos atos são realizados por pessoa conhecida (32,2%), cônjuge ou ex-cônjuge (25,9%) e pessoa desconhecida (29,1%).

Os dados também mostram que tanto homens quanto mulheres evitam recorrer à polícia. Entre as mulheres, a procura é maior, mas, ainda assim, é praticamente o mesmo percentual das mulheres que não procuram. Já entre os homens, a maioria não procura a polícia.

Ainda segundo os dados do estudo, para as mulheres que ainda moram com seus maridos, mulheres de áreas rurais possuem maiores chances de sofrer violência do que as residentes em cidades não localizadas nas regiões metropolitanas. Quanto maior o número de filhos, menores as chances de a mulher sofrer violência. Por fim, o mais inesperado, mulheres com mais de nove anos de estudo possuem maiores chances de sofrer violência do que aquelas com menor escolaridade, com até quatro anos de estudo.

Por outro lado, para os casos em que o casal não mora mais junto, as mulheres com menor escolaridade possuem chances de sofrer violência maior do que todas as outras faixas educacionais. Conforme o estudo, mulheres casadas possuírem menores chances de sofrer violência do que as mulheres solteiras.

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