Ex-chanceler do Paraguai admite negociação paralela em acordo de Itaipu

(Foto: Jorge Adorno/Reuters)

Castiglioni, que era o líder paraguaio nas negociações com o Brasil, prestou depoimento sobre os acordos com representantes brasileiros

O ex-ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni disse, nesta última terça-feira (13), após prestar depoimento ao Ministério Público do país sobre o caso, que houve uma negociação paralela sobre os termos da ata que pode provocar o impeachment do presidente Mario Abdo Benítez.

Castiglioni foi ouvido, durante cinco horas, pelos promotores responsáveis por investigar o acordo. Antes de renunciar ao cargo no Ministério de Relações Exteriores, o ex-chanceler era o líder da equipe paraguaia nas negociações com o Brasil, em seu depoimento sugeriu que havia conversas paralelas sobre o pacto.

O ex-ministro negou saber da existência de uma cláusula que permitia ao Paraguai vender energia para empresas brasileiras e que foi retirada do acordo por pressão do advogado José Rodríguez González, que dizia ser representante do vice-presidente do país, Hugo Velázquez.

Castigloni também afirmou que soube pela imprensa das reuniões entre Abdo Benítez, Velázquez, o ministro da Fazenda, Benigno López, e o então presidente da Administração Nacional de Eletricidade (Ande), Pedro Ferreira, para discutir o acordo com o Brasil.

O ex-chanceler também culpou pela falta de informações o ex-embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier. Segundo Castiglioni, ele chamou o diplomata depois de os dois terem renunciado para pedir explicações sobre as notícias envolvendo o acordo que tem sido divulgada pela imprensa paraguaia.

O ex-ministro afirmou que deu três diretrizes a Saguier nas negociações: recusar qualquer aumento das tarifas para o Paraguai, manter para o país o privilégio de contratar potência excedente de usina e atuar com rigor já visando a renegociação do anexo C do Tratado de Itaipu, que terá que ocorrer até 2023.

Os promotores que ouviram o ex-chanceler disseram que ele entregou vários documentos anteriores à assinatura do acordo com o Brasil. O depoimento de Castiglioni foi considerado por eles como “extremamente esclarecedor”.

*Com informações da Veja

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here