Cai cobertura de todas as vacinas em Goiás

Dados da SES revelam que desde 2016 Goiás só atinge as metas do Ministério da Saúde. (Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde)

A imunização de sarampo pela tetra viral não atingiu nem 60% das crianças em 2018

Dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES) revelam que desde 2016 Goiás só atinge as metas do Ministério da Saúde (MS) de cobertura vacinal em relação à BCG. Os índices preconizados pelo MS para crianças menores de 1 ano e de 1 ano de idade são de 90% de cobertura para BCG e rotavírus e de 95% para as outras oito vacinas.

A vacinação de BCG, que previne a tuberculose, atingiu 92,52% das crianças em 2018, todavia, apesar de cumprir a meta, a cobertura vacinal de BCG também vem caindo no Estado. De 2010 a 2015, 100% das crianças goianas foram imunizadas contra tuberculose. Já o índice de vacinal de rotavírus foi de 86,98% no ano passado e, desde 2016, a imunização contra o rotavírus não atinge a meta do MS.

Dentre as oito vacinas que têm como meta imunizar 95% das crianças, nenhuma atingiu a cobertura preconizada pelo MS nos últimos anos em Goiás. A tetra viral, que previne o sarampo, registrou o menor índice de vacinação em 2018: 58,85%. O MS recomenda duas vacinas para imunização do sarampo: uma primeira dose da tríplice viral, que previne sarampo, caxumba e rubéola, aos 12 meses, e uma segunda dose a tetra viral aos 15 meses.

Em 2016, a cobertura das duas vacinas atingiu patamares semelhantes: 85,93% a tríplice viral e 85,2% tetra viral. De lá para cá, a cobertura vacinal da tetra viral vem reduzindo enquanto a da tríplice viral se mantém no mesmo índice. Esta última atingiu a meta pela última vez em 2014 e chegou bem próximo em 2015: 94,83%. Em Goiás, os últimos casos registrados de sarampo foram em 1999 e o último óbito confirmado pela doença ocorreu em 1991. No ano passado, foram notificados 87 casos suspeitos e todos foram descartados.

O que se percebe nos dados da SES é que a cobertura da maioria das vacinas vem registrando redução nos últimos anos. A pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite, doenças graves que podem matar crianças pequenas, ampliou a cobertura de 81,24%, em 2017, para 82,49%, em 2018, mas está longe de atingir a meta de 95%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmam que é necessária uma cobertura de 95% de vacinação com três doses de difteria, tétano e coqueluche para proteger as crianças contra os surtos dessas doenças. Apenas em 2013, Goiás atingiu a meta em relação à pentavalente.

A vacina meningococo C, que previne meningite, até 2015 superou a meta, que é de 95% de cobertura vacinal. No ano passado, 86,4% das crianças foram vacinadas, cerca de 10% a menos que o preconizado. A vacinação contra poliomielite e febre amarela registrou um pequeno aumento de 2017 para 2018, mas as duas coberturas também estão bem abaixo do preconizado pelo MS.

A evolução da cobertura vacinal da poliomielite a partir de 2010 caiu de 100% para 69,8% no ano passado, quando o MS emitiu alerta para a baixa vacinação contra a paralisia infantil: 312 cidades brasileiras não haviam vacinado nem metade das crianças menores de 1 ano em 2017. A queda da vacinação contra febre amarela foi mais forte, apesar de o país registrar surtos da doença nos últimos anos. Em 2018, foram vacinadas 77,7% das crianças contra 102% em 2010.

A cobertura da vacina contra hepatite A, que teve início em 2014, não chegou a atingir a meta do MS, que é de 95%. Em 2015, 90% das crianças goianas foram vacinadas contra a doença, mas a cobertura caiu para 80% no ano passado. O número de pacientes notificados com casos de hepatites virais no Brasil aumentou 20%, de 2008 a 2018, de acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2019, divulgado no último dia 22 pelo Ministério da Saúde. Em 2008, foram registrados 35.370 casos. Dez anos depois, esse número saltou para 42.383.

Goiás segue uma tendência nacional de queda na cobertura vacinal, contrariando a tendência mundial, segundo o Unicef, que emitiu um alerta sobre a queda na cobertura vacinal e “a necessidade, urgente, de melhorar a cobertura vacinal de rotina e durante as campanhas”; “monitorar sistematicamente a cobertura vacinal em cada estado e município e unidade de saúde, para chegar aos territórios onde as crianças não estão sendo vacinadas”; “realizar ações focalizadas para aumentar a cobertura vacinal em áreas com menor cobertura”; e, por fim, “resgatar a percepção da sociedade, e das famílias, sobre a importância da vacinação”.

Cobertura vacinal em Goiás de 2010 a 2019

Os dados parciais foram atualizados em 25/06/2019.

  • Vacina Pentavalente foi implantada em 2012.
  • Vacina Hepatite A foi implantada em 2014.
  • Vacina Tetra viral foi implantada em 2013.
Fonte: sipni.datasus.gov.br/TABNET
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