Brasil é o quarto país que mais mata ativistas ambientais no mundo

(Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Segundo ONG, outros “incontáveis” ativistas foram silenciados em todo o mundo por meio de violência, intimidação e uso indevido das leis anti-protesto em todo o mundo

Segundo o balanço anual da ONG Global Witness, pelo menos 164 ativistas ambientais foram assassinados no ano passado por defender suas casas, terras e recursos naturais da exploração de mineradoras, empresas do setor de alimentos e de madeireiras. O Brasil ocupou a quarta posição do ranking, com 20 assassinatos em 2018. É a primeira vez que o País deixa a primeira colocação do levantamento, feito desde 2012. O relatório foi publicado nesta terça-feira, 30, e atribui a diminuição a uma “queda geral nas taxas de homicídio no ano passado”.

O país mais perigoso do ano passado para esses ativistas e líderes indígenas foram as Filipinas, com 30 assassinatos, segundo a organização, desbancando o Brasil no topo da lista. O segundo lugar mais perigoso é a Colômbia, com 24 mortes em 2018, e o terceiro é a Índia, com 23. Por outro lado, a Guatemala, com 16 assassinatos confirmados, é o país com mais mortes em relação ao número de habitantes.

O relatório cita que pelo menos oito ativistas envolvidos em disputas com representantes da indústria da soja morreram em 2018 apenas no estado do Pará. Além disso, com a promessa do presidente Jair Bolsonaro de “abrir reservas indígenas ao desenvolvimento comercial, incluindo mineração, agricultura e infraestrutura”, “isso já provocou uma série de invasões de terras indígenas por grupos armados de grileiros, com comunidades que vivem com medo de futuros ataques”.

O número de mortos foi reduzido em comparação com 2017, que foi o ano mais mortífero, com 207 mortos. Mas a Global Witness aponta que o montante pode ser desvalorizado, principalmente porque alguns fatos ocorrem em lugares muito remotos. A ONG também denunciou uma “tendência preocupante” em relação à intimidação e à prisão de defensores do meio ambiente.

*Com informações do site Estadão

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