Indígenas isolados correm risco de extermínio, na Amazônia

(Foto: Leonardo Prado/MPF)

Além de invasores ilegais, esses indígenas isolados enfrentam a ameaça de expansão da infraestrutura na Amazônia

De acordo novo livro do ISA, lançado na última terça-feira (23), frentes de expansão e exploração avançam sobre a Amazônia, afetando a floresta e ameaçando a existência de povos indígenas da região. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), são 114 registros de exploração em toda a Amazônia, 28 deles confirmados.

O livro reúne artigos de pesquisadores que se debruçaram sobre diferentes povos e regiões, analisando a perspectiva dos indígenas contatados que compartilham o território com os grupos isolados. Uirá Garcia, pesquisador da Unifesp, escreve sobre os Awá Guajá, do Maranhão. Bruce Albert, antropólogo e consultor do  Instituto Sócio Ambiental (ISA), e Estevão Bertoni, geógrafo, doutorando da Universidade de Brasília (UNB), sobre os isolados da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Karen Shiratori antropóloga e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), sobre os kawahiva que perambulam pelo sul do Amazonas, próximos aos índios Tenharim.

Em um artigo inédito que faz parte da publicação, o ISA, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresenta uma simulação de cenários futuros para os próximos 20 anos. E conclui que, se mantido o atual cenário de políticas públicas, e o atual planejamento de obras, a existência desses povos isolados ficará seriamente ameaçada.

Conforme a publicação, no pior cenário, algumas áreas protegidas terão perdido toda a sua cobertura florestal até 2039. É o caso das TIs Cana Brava e Krikati, no Maranhão; Flona Bom Futuro, Esec Três Irmãos e Resex do Rio Cautário, em Rondônia. Outras áreas terão sido desmatadas em quase sua totalidade, como a Rebio Gurupi(86%), Flona de Jacundá (83%), TI Arara do Rio Branco (80%), TI Awá (71%), TI Jacareúba/Katawixi(69%), TI Caru (66%), TI Araribóia (64%) etc.

 “O Brasil é o país com o maior número de povos em situação de isolamento. Isso é incrível, imaginar a riqueza dessa situação. Existem pessoas que tem o modo de vida e que exercem sua liberdade de uma forma totalmente diferente da nossa”, afirma. “É interessante pensar o isolamento como um exercício de liberdade radical. Não exatamente do voluntário como uma escolha, mas como uma manifestação inequívoca da liberdade”, explica Karen Shiratori, antropóloga da Universidade de São Paulo, que contribui para o livro.

*Com informações do Instituto Sócio Ambiental

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