Cinco pessoas foram presas, entre elas o ex-chefe de gabinete do ex-governador Marconi Perillo e a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador José Eliton

A segunda fase da Operação Decantação deflagrada pela Polícia Federal na manhã de hoje (28) resultou na prisão de cinco pessoas e cumpriu oito mandados de busca em apreensão na casa de empresários, dirigentes da empresa e agentes públicos do Governo do Estado de Goiás, suspeitos fraudar licitações e desvio de dinheiro público na Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago).


De acordo com a PF, um dos detidos, Luiz Alberto de Oliveira, o Bambu, ex-chefe de gabinete do governo Marconi Perillo (PSDB), aparece como um sócio de um grupo de três empresas que estariam sendo favorecidas em contratos com a Saneago. A investigação aponta que a fraudes ocorreram entre os anos de 2012 e 2016.

“Em apenas uma ocasião no ano de 2014, houve um deposito de R$15 milhões para a conta de uma dessas empresas de fachada do ex-chefe de gabinete [Luiz Alberto] para outra empresa, além de outros R$ 3 milhões que foram transferidos em apenas uma movimentação financeira feita pela filha desse ex-chefe de gabinete”, explicou o delegado Charles Gonçalves Lemes, responsável pela investigação da Operação Decantação.
Gisella Silva de Oliveira Albuquerque, a filha de Luiz Alberto de Oliveira, também foi presa nesta segunda fase da operação. Segundo a PF, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensões foram encontrados aproximadamente R$ 2 milhões no carro do ex-chefe de gabinete e na casa de Gisella, onde também foram encontradas armas.

Em coletiva, Charles explicou que entre os anos de 2010 e 2018, a filha de Luiz Alberto ocupava o cargo de chefe de Comunicação do Governo de Goiás junto ao Distrito Federal. Em 2010, Gisella, que tinha um salário de R$ 3,7 mil, sacou em dois dias, da conta pessoal, uma quantia de R$ 3 milhões. “Eram bastantes as movimentações financeiras feitas pelo grupo”, apontou o delegado. Em 2012, ela voltou a sacar da sua conta R$ 3 milhões, incompatível com sua renda na avaliação da PF.

“A análise aponta o favorecimento nítido ao grupo de três empresas de propriedade de um único casal. Tudo isso com o poio de um servidor da Saneago, que teria sido alocado como diretor corporativo da Companhia para defender interesses de Luiz Alberto e das empresas dele. Além disso, o ex-chefe de gabinete teria criado duas empresas de fachadas em sua própria casa para fazer a lavagem desse dinheiro”, disse Lemes.

De acordo com a investigação, foi comprovada transferência de valores na ordem de R$ 28 milhões entre o ex-chefe de gabinete do ex-governador e a conta de uma das empresas.

Em nota, a Saneago destacou que “a atual gestão da Empresa tem priorizado a implantação das melhores práticas de governança e compliance, para garantir a lisura em todos os processos da Companhia”.

Veja a lista com os nomes das pessoas presas na manhã de hoje:

  1. Luiz Alberto de Oliveira – chefe de Gabinete de Gestão da Governadoria até abril de 2017;
  2. Gisella Silva de Oliveira Albuquerque – filha de Luiz Alberto;
  3. Carlos Eduardo Pereira da Costa – sócio da Sanefer Construções e Empreendimentos;
  4. Nilvane Tomás de Sousa Costa – sócio da Sanefer Construções e Empreendimentos;
  5. Robson Borges Salazar – ex-diretor de gestão corporativa da Saneago.
Ex-governador José Eliton. (Foto: Reprodução)

Prisão negada

A Polícia Federal chegou a pedir a prisão do ex-governador José Eliton (PSDB), porém a Justiça negou “pelo fato de ele não estar mais na administração e pela contemporaneidade dos fatos”. Segundo investigação da PF, Eliton, que na época cumulava o cargo de vice-governador e secretário de Segurança Pública (SSP), se reunia com Luiz Alberto de Oliveira, chefe de gabinete do então governador Marconi Perillo, para “carimbar essas verbas”, que deveriam ser repassadas para as empresas.

“O prejuízo da Saneago é estratosférica”, avaliou Charles Lima. A PF esclarece ainda, que o dinheiro primeiro passava pela Saneago e, posteriormente, as empresas envolvidas recebiam o pagamento. José Eliton teria, supostamente, utilizado, por diversas vezes, de uma aeronave de propriedade de uma das empresas beneficiadas pelos contratos, conforme aponta a investigação.

Em nota, o advogado Tito Souza Amaral, que defende Eliton, afirmou que “não existem fatos ou elementos nesta investigação que coloquem em suspeita a lisura de José Eliton como vice-governador ou governador”. E ainda reforça que o pedido de prisão foi negado por não haver “nenhum indício concreto de seu envolvimento nos fatos em apuração”.

O delegado Charles disse que, até o momento, não existem indícios de que Marconi Perillo tenha participado do esquema, porém, nada impede que, no decorrer das investigações, novos nomes possam surgir.

De acordo com o delegado, um ex-governador de Goiás seria “sócio oculto” de umas das empresas envolvidas nas fraudes contratuais da Saneago. Porém não confirmou se o sócio em questão seria José Eliton.

“Além do ex-governador ser um sócio oculto dessa empresa e ser beneficiado pelas fraudes dos contratos. Ele também usava as empresas para fazer lavagem de dinheiro de origem lícita”, explicou Charles.

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