Ministra anunciou projeto que propõe maior penalização, quando o agressor ou abusador for um religioso

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, se reuniu com os promotores integrantes da força-tarefa do Ministério Público de Goiás (MP-GO) que investigam as denúncias de crimes sexuais contra o médium João de Deus, suspeito de abusar de mulheres que buscavam tratamento espiritual, na Casa Dom Inácio de Loyola. Na ocasião o MP apresentou um balanço das investigações do caso.

No balanço, os promotores contaram que foram identificadas 300 vítimas, mais de 100 ocorreram nos últimos 10 anos e não foram prescritas. Todas às mulheres que denunciaram o médium estão sendo ouvidas. As denúncias são de 19 estados brasileiros e de 11 países. O médium segue preso desde 16 de dezembro, ele sempre negou as acusações.

De acordo com o coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) Criminal no MP, Luciano Miranda, o médium se aproveitava de situação de fragilidade das pessoas que buscavam tratamento. “Ele ejaculava nas vítimas e dizia que se tratava de um ectoplasma”, destacou Meireles.

“Mais um número amargo, mais um recorde que vergonhosamente a nação irá ostentar”, avalia a Damares sobre o caso João de Deus, conhecido mundialmente, como o maior caso de vítimas de abuso sexual. “O Ministério está desenvolvendo uma proposta legislativa que quando o agressor ou abusador for um religioso, a pena será agravada”, comunicou a ministra.

Damares visitou Abadiânia, local em que o médium realizava os atendimentos. Depois se reuniu com o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto e os promotores da força-tarefa na sede do Ministério Público. “Além de aumentar as punições para crimes como este, também acrescento que devemos fazer um trabalho de prevenção, principalmente, para encorajar as vítimas a denunciarem seus agressores e abusadores”, salientou Torres.

A ministra anunciou que medidas estão sendo tomadas, com intuito de fortalecer rede de proteção às mulheres e crianças. “Muitos casos são arquivados por falta de perícia. Quando a criança chega no Instituto Médico Legal (IML), por exemplo, numa sala que do lado tem cadáver, corpo ensanguentando, conseguem imaginar o medo dela? Então precisamos criar um mecanismo em que existam salas especiais, decoradas, com bichinhos para tirar esse medo delas”, sugeriu.

Damares aproveitou para mandar um recado aos turistas do carnaval. “Venham dançar muito no Brasil, mas não venham pegar as nossas crianças. Acabou a brincadeira nessa nação, nós seremos de fato, muito exigentes com a proteção da infância e no combate a violência sexual de mulheres, jovens e crianças”, finalizou.