Câmbio: Dólar fecha em 3,7280 e tem pior semana desde novembro

O tom de cautela persistiu no mercado de câmbio nesta sexta-feira e o dólar acumulou alta de 1,91% na semana, a maior valorização semanal desde a penúltima semana de novembro. Preocupações com a saúde do presidente Jair Bolsonaro e dúvidas sobre os rumos da reforma da Previdência, além de um cenário externo mais negativo, em meio a preocupações sobre o futuro do acordo comercial entre a China e Washington, estimularam a busca por proteção antes do final de semana. Mesmo com a alta mais modesta do dólar no mercado doméstico nesta sexta-feira, de 0,25%, o real ficou com o pior desempenho ante a moeda americana hoje, dia em que a o dólar teve comportamento misto, caindo ante moedas como peso mexicano e o rublo da Rússia, e subindo perante o rand da África do Sul e o peso argentino. O dólar terminou a sessão cotado em R$ 3,7280.

Uma das evidências da cautela dos investidores é que os estrangeiros aumentaram em US$ 2,3 bilhões as posições compradas em dólar no mercado futuro entre segunda e quinta-feira, segundo dados da B3. Estas apostas ganham com a alta da moeda americana e estoque chegou a US$ 36,3 bilhões ontem, considerando posições em dólar futuro e cupom cambial. Outro reflexo é que o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, uma medida do risco-país, subiu para 173 pontos-base hoje, o maior nível desde 23 de janeiro, de acordo com cotações apuradas pela IHS Markit.

O banco americano Morgan Stanley está reduzindo a exposição a moedas de emergentes e preferindo moedas como o iene do Japão. Para o real, a recomendação foi alterada para “neutra”. O “crescente ruído” em torno das propostas para a Previdência pode pressionar para a desvalorização do real, segundo relatório. O banco destaca, contudo, que permanece otimista com a perspectiva de mais longo prazo com a agenda de reformas de Jair Bolsonaro.

“A euforia com o Brasil diminuiu um pouco”, destacou o estrategista para emergentes do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman (BBH), Win Thin. Ele ressalta que há renovadas preocupações com a saúde de Bolsonaro, sobretudo após a informação de que ele está com pneumonia. Além disso, o executivo afirma que parlamentares têm dado declarações que sinalizam que a votação da reforma da Previdência pode demorar mais que o esperado. Na tarde de hoje, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, voltou a afirmar que pode ocorrer em maio. (Altamiro Silva Junior – altamiro.junior@estadao.com)

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