A proposta é uma divisão em cinco grupos, recebendo primeiro quem ganha menos

Na reunião que durou mais de duas horas, entre o secretário de Governo, Ernesto Roller e 32 representantes das categorias, na Secretaria da Fazenda de Goiás (SEFAZ) ficou definido que o pagamento do mês de dezembro será escalonado em cinco grupos. De acordo com o Estado, os pagamentos começarão em março e seguem até julho de acordo com o valor do salário, às férias e o 13° salário serão pagos no mês em que o servidor receber o vencimento de dezembro.

“Depois de muita negociação o governo fez uma contra proposta de seis para cinco meses, o que importaria em uma quitação, já nos dois primeiros meses, de até 60% da folha. O fórum ficou de deliberar com seus funcionários”, afirmou o secretário de Governo de Goiás, Ernesto Roller.

De acordo com dados da Sefaz a previsão para 2019 é de um déficit de 6,19 bilhões de reais nas contas públicas. Por isso, o governo adotou medidas severas, como a redução dos incentivos fiscais para o setor produtivo, o corte de despesas de manutenção e a demissão de servidores comissionados.

A contra-proposta não agradou as categorias. Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, Bia de Lima, o Governo está ‘de birra política’. “Tem dinheiro que dá para pagar. Estamos mostrando para o governo que tinha R$ 70 milhões, inclusive nas contas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) tinha R$ 249 milhões que o governo não está colocando”.

Extratos das contas da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil do Departamento Nacional de Trânsito em Goiás (Detran-GO) foram pedidos para análise. Segundo Nilo Sérgio, presidente do Sindicado dos Servidores Públicos de Goiás (Sindipúblico), a categoria vai provar a movimentação nessas contas que não fazem parte da conta única. “Nós sabemos que foram pagos R$ 150 milhões para bancos, sem empenho, ou seja, a questão de empenho não é uma desculpa”.

Uma reunião com servidores da educação está marcada para a manhã desta quinta-feira (24). Servidores dizem não ter condições de aceitar a proposta. O professor Zuleni Carlos Pontes vai precisar recorrer ao banco pra conseguir fechar as contas e não concorda com a decisão. Eu vou ter que fazer um empréstimo consignado. Eu não tenho condições de pagas as contas de dezembro dessa forma. Salário de Janeiro na tem férias, décimo terceiro nem bonificação”.

Para tentar resolver a situação o Fórum em Defesa dos Servidores e Serviços Públicos do Estado de Goiás vai pedir ajuda do Ministério Público de Goiás (MP-GO), em uma caminhada que vai sair do Sindipúblico até a sede do MP às 9 horas da manhã.