Especialistas destacam a importância da vacina contra o sarampo

(Foto: Reprodução)

A campanha segue até o dia 31 de agosto, crianças maiores de 1 ano e menores de 5 aos Postos de Saúde devem ser vacinadas

A secretária de Saúde do Estado de Goiás (SES) alerta a população para a possibilidade de disseminação do vírus do sarampo no Estado. Especialistas fazem apelo para que pais e responsáveis levem as crianças maiores de 1 ano e menores de 5 aos Postos de Saúde, até o dia 31 de agosto para se vacinarem.

Apesar de Goiás não ter nenhum caso confirmado da doença, existe um surto de sarampo em Roraima e Amazonas. Profissionais advertem para os riscos da sua proliferação, por se tratar de uma doença altamente transmissível. Até o dia 14 de agosto, foram confirmados 910 casos de sarampo no Amazonas e 5.630 permanecem em investigação. Já em Roraima, foram 296 casos confirmados e 101 continuam em investigação.

Os casos estão relacionados à importação já que vírus que circula no país é o mesmo da Venezuela, que enfrenta um surto da doença desde 2017. Casos isolados, relacionados ao país vizinho, foram identificados em São Paulo (1), Rio de Janeiro (14); Rio Grande do Sul (13); Rondônia (1) e Pará (2). Até o momento, foram confirmados seis óbitos por sarampo, quatro em Roraima (três em estrangeiros e um em brasileiro) e dois no Amazonas (brasileiros).

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Leonardo Mariano Reis, crianças e adultos vacinados ou não devem reforçar a dose, para garantir uma maior proteção a população. “O objetivo da campanha é garantir o controle e a erradicação de doenças que podem levar à morte. Por isso, é muito importante que as pessoas fiquem atentas ao calendário e que participem de campanhas de vacinação como essa contra o sarampo e a poliomielite”, salientou.

A professora-doutora chefe do departamento de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), Lusmaia Damaceno C. Costa diz que a baixa cobertura vacinal em Goiás e no Brasil é extremamente preocupante. “Caso o vírus chegue até nós ele se espalhará rapidamente devido à pouca adesão à campanha. Se houver um único registro sequer a possibilidade para que outros apareçam em série é real”, alertou.

Luzmaia que também é pneumopediatra diz que o sarampo pode levar à morte e causar casos graves de pneumonite (pneumonia por vírus – mais letal que por bactéria). “Para se ter uma ideia, mesmo após sete anos que a criança contraiu a doença ela pode desenvolver encefalite (enfermidade caracterizada por inchaço e inflamação do cérebro).

Segundo o Ministério da Saúde, a evolução dos casos de sarampo acontece como uma associação de pessoas não vacinadas e os casos de Venezuelanos. Uma das mortes foi a de um menino de 7 meses em Manaus (AM), que apresentou os primeiros sintomas (febre, tosse e coriza) no dia 23 de junho. Depois do agravamento do caso, a criança foi internada no dia 25 de junho, mas acabou morrendo três dias depois. A morte foi confirmada pela Secretária de Saúde do Amazonas.

Fake News
Para a presidente da SGP (Sociedade Goiana de Pediatria), Marise Tofoli, uma das maiores causas dessa situação é a falta de informação e até mesmo as fake news, que são as notícias falsas divulgadas pela Internet. “Com a desinformação, o chamado movimento ‘antivacina’, formado por pessoas que se recusam a vacinar ou/e levar os filhos na vacinação, ganhou força e vem afetando toda a sociedade”, explica a pediatra.

Não vacinar os filhos é uma prática ilegal no Brasil, conforme ressalta a presidente da SGP. “O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) garante a todas as crianças o direito à saúde e torna obrigatória a vacinação”, esclarece Marise Tofoli. Portanto, mais do que um gesto de amor e cuidado, manter o calendário de imunização dos filhos atualizado é um dever de todo pai ou responsável por um bebê, criança ou adolescente.

Mito: vacinas causam autismo
Uma das informações falsas, de acordo com Marise Tofoli, que circulam na internet é a que vacinas causam autismo. De acordo com o coordenador do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da SGP, Fábio Pessoa, não existe nenhuma evidência científica que relacione o surgimento do TEA (Transtorno do Espectro Autismo) com o fato da criança ter sido vacinada.

“O ex-pesquisador Andrew Wakefield estabeleceu essa relação em 1998, mas foi comprovado que ela não passava de uma farsa e ele, inclusive, foi banido da comunidade científica. Portanto, nenhuma vacina provoca autismo e os pais podem ficar tranquilos e proteger seus filhos por meio da vacinação”, defende Pessoa.

Campanha
Para conter o avanço da doença no país o Ministério da Saúde lançou a campanha de vacinação que vai até o dia 31 de agosto. Crianças entre 1 a menores de 5 anos receberão a vacina mesmo que já tenham tomado, anteriormente. De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina é a única forma efetiva de proteção contra o sarampo.

Em 2017, dados preliminares apontam que a cobertura vacinal no Brasil contra sarampo foi de 85,2% na primeira dose (tríplice viral) e de 69,9% na segunda dose (tetra viral). Desde 1999, o Brasil não registrava número tão alto de casos confirmados em um único ano. Na época, foram 908 casos de sarampo no país. Normalmente, a vacina contra o sarampo está disponível o ano inteiro nos postos de saúde para crianças e adultos.

Sintomas
Febre acompanhada de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal. Em seguida podem aparecer manchas avermelhadas no rosto que se espalham pelo corpo. São comuns lesões muito dolorosas na boca.

A doença pode agravar-se e atingir o sistema nervoso central e pode complicar-se com infecções secundárias como pneumonia, podendo levar à morte. As complicações atingem mais gravemente os desnutridos, os recém-nascidos, as gestantes e as pessoas portadoras de imunodeficiências.

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