Gestor temporário da diocese de Formosa chega à cidade após prisão de religiosos suspeitos de desvio de dízimos

Por Vanessa Martins, G1 GO

O arcebispo de Uberaba (MG), dom Paulo Mendes Peixoto, chegou à Formosa, no Entorno do Distrito Federal, nesta quinta-feira (22). Ele foi nomeado pelo Papa Francisco para administrar a diocese da cidade temporariamente, após o bispo da cidade e quatro padres serem presos suspeitos de desviar até R$ 2 milhões da Igreja Católica.
Em entrevista à TV Anhanguera, ele afirmou que estará à disposição da comunidade e dos religiosos detidos.
“A primeira atitude minha é conversar com os padres, dizer que a gente está com o coração aberto para ajudá-los e contar com a ajuda deles. A questão que aconteceu, a Justiça é que tem que dar a sua palavra. A gente não [pode] ficar preocupado com isso não,[vamos ficar] preocupados com o povo que precisa de uma segurança, os padres, que também precisam de uma segurança. Vou estar ali com eles, [serei] mais um para somar”, afirmou.
Nesta sexta-feira (23) acaba o prazo da prisão temporária dos nove detidos na Operação Caifás do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), que apura os possíveis desvios de dinheiro na organização. O órgão pode pedir a extensão da prisão deles ou solicitar a prisão preventiva dos investigados.

Investigações
As investigações começaram no ano passado, após denúncias de fiéis. Na última segunda-feira (19) foram presos o bispo da Diocese de Formosa, dom José Ronaldo, o vigário-geral e segundo na hierarquia de Formosa, monsenhor Epitácio Cardozo Pereira; o juiz eclesiástico Thiago Wenceslau; mais três padres; o secretário da Cúria; e dois empresários.
Nesta quinta-feira (22), os promotores encerram a fase de oitivas. Eles colheram os depoimentos do bispo, do monsenhor e juiz eclesiástico. Segundo o órgão, por enquanto, eles não vão divulgar o contexto dos relatos por pedido da defesa dos detidos.
Anteriormente, padres presos suspeitos de envolvimento na Operação Caifás tinham dito que eram coagidos pelo bispo a compactuar com as irregularidades. Segundo o MP-GO, houve uma reunião para alinhar o posicionamento. Aqueles clérigos que não concordassem, seriam transferidos.

Perícia contábil
Na época das denúncias dos fiéis, Dom José Ronaldo convocou o juiz eclesiástico Thiago Wenceslau, para averiguar a situação. O intuito seria fazer uma perícia contábil em documentos. No entanto, de acordo com as investigações, ao invés de analisar possíveis ilícitos, ele teria apenas corroborado com as irregularidades.

Apreensão de dinheiro
Imagens cedidas pelo Ministério Público mostram quando policiais encontram dinheiro em fundo falso de armário do vigário-geral e monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, de Formosa (veja acima).
Na gravação, os policias entram na casa e vão até um armário, guiados pelo vigário-geral. Eles abrem o móvel e encontram três caixas de celulares e um notebook. Um dos policiais civis começa a tirar os objetos das prateleiras enquanto o religioso diz: “Esse dinheiro é da Paróquia, não é meu não. Isso é para pagar as despesas da Paróquia”.

Operação Caifás
Segundo a investigação, o grupo se apropriava de dinheiro oriundo de dízimos, doações, arrecadações de festas realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos.
Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça apontam que o grupo comprou uma fazenda de criação de gado e uma casa lotérica com dinheiro desviado de dízimos e doações. Em decisão, juiz disse haver indícios de que o dinheiro era usado para despesas pessoais e que carros da Diocese de Formosa eram usados com fins particulares.
Os nove presos estão em celas isoladas no presídio de Formosa, com direito a até duas horas por dia de banho de sol e chuveiro sem eletricidade.

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